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Nascimento de um pensamento (replay burilado)
Ele sabia que tinha tido um lampejo, e que não iria se dar por vencido. Seu raciocínio fazia sentido, era pragmaticamente proveitoso e ainda, tinha certeza, era engraçado!
Partia de sua postura de que eram muito melhores as coisas quando conseguidas na paz, só na maciota, por meio da malandragem mais pacata, sem desgastes. Apenas o êxito indolor.
De outro lado (talvez por mera preguiça), o certo era que odiava ter de se esforçar para conseguir o que queria. Mesmo que quisesse muito! Nessses casos ainda mais: se queria tanto, já não era o bastante para merecer!? Ainda teria que gastar energia?! Não, não era com ele.
Então, na intenção de convencer o mundo de sua postura perante a vida, tentava cunhar uma frase que traduzisse suas idéias em forma de argumento inafastavel. Aí entraria o seu humor, como um elo de simpatia entre quem evocasse a sua frase e o ouvinte que se mostrasse disposto a "dar o sangue", ou exigindo "atitude" por o quê quer que fosse.
Contra a onda da "atitude!", cunhou ele: "quem faz força, um hora se borra!". E ria sozinho, não vendo a hora de fazer uma camiseta com a frase e "ter de explicar milhares de vezes", pra todo mundo e cada um que perguntasse, que ele mesmo era o gênio autor da pérola.
Escrito por Paulo Rená da Silva Santarém às 11h16
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Em homenagem às novas amizades
Dona Alice sentia-se tão orgulhosa da filha adolescente, aquela que por nove longos meses carregara; a mesma por cujo choro tantas vezes acordara na madrugada; por quem tanto rira ao som das primeiras palavras, do primeiro sorriso, o primeiro "mamãe"; esse lindo ser que outrora habitara um quarto cor de rosa, e que hoje tinha lá suas queridas amiguinhas, mesmo apesar daquelas músicas depressivas, dos piercings e da tatuagem, do cabelo e das unhas pintadas de negro, das roupas com frases e desenhos estranhos que ela não entendia, sem falar na faculdade de nome estranho que ela cursava, nada semelhante a Medicina ou Direito. E pouco importava que as meninas se denominassem "as iscas comedoras", pois, ponderava, isso era coisa de criança, com o tempo passa.
Mais que tudo, Dona Alice, que também já ousara se deixar levar pela toca da curiosidade quando infante, especialmente por conta das histórias de um tal Luís (que não passava de um falso), limitava-se a rezar antes do jantar para que um dia o destino de sua filhota fosse lapidado por um casamento, que viesse a colocar a vida da filha nos trilhos, assim como ocorrera com ela própria, hoje conhecida como a corretíssima Sra. Carlos.
Escrito por Paulo Rená da Silva Santarém às 14h24
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S de simples
- É bom - disse ela, surpreendendo-o, de uma forma bastante agradável, ao responder desse jeitinho tão simples, direto e despojado, em flagrante contraste ao modo tão cheio de dedos, simultaneamente preocupado em não parecer nem ousado nem inseguro demais, com que ele perguntara àquela adolescente ploc que o deixava totalmente fissurado (baixinha, all-star, meio ruiva, roupas coloridas, sorriso de rosto inteiro), o quê achava sobre sexo.
- Mesmo quando é ruim, completou ela, de forma singela e aparentemente inocente, fazendo-o se derreter por dentro.
Escrito por Paulo Rená da Silva Santarém às 23h41
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Fonética...
No momento alto do bis da banda de rock paulista, que aos 20 anos já nem era mais tão rock assim, mas ainda era boa; enquanto o tecladista entoava sua balada sob um holofote azul índigo e a platéia balançava os braços de um lado para o outro; na hora em que o baterista trocou aqueles tilintares nos pratos por uma batida forte no bumbo, para entrar o refrão; eis que a garota troca toda a sentimentalidade da canção, e com uma mera confusão da letra, substitui a crença romântica num destino errante, por uma alegoria animal "heróica", e enseja um momento ímpar de risos entre seus amigos ao cantar, a plenos pulmões:
- Vaca azul vai me proteger enquanto eu andar distraído!
Escrito por Paulo Rená da Silva Santarém às 08h42
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Dinheiro sujo de sangue!
"Não, eu não quero o seu dinheiro", respondeu o bombeiro.
Minutos atrás, ele descobrira que um pequeno camundongo de estimação era a causa de a privada estar entupida, e comparou, em forma de aviso, o menino da casa a um famoso serial killer, que também iniciara sua vida bandida (que acabara na cadeira elétrica) maltratando pequenos animais.
Mas agora, ao descobrir que, diante da freqüência com que defecava o pequeno mamífero, e para extravazar a dor da separação, fora a mãe que, numa crise de TPM, jogara o animal e dera discarga, o sujeito estava chocado.
"Eu tenho pena dos seus filhos, Dona" - completou ele, antes de ir embora, sem dizer mais nada.
Escrito por Paulo Rená da Silva Santarém às 11h43
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