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Rascunho
 

Drop Dead

O espanto, ainda que geral, em seus olhos se mostrava mais visível. Ele nunca poderia se imaginar naquela situação.

O fato é que estivera insustentável, um incomodo, pairando no ar, em forma de ondas sonoras, reiteradas, estupidamente irritantes. E aquilo chegara ao limite, consenso, indiscutível. Não dava mais!

Sob essas condições, como é que ele poderia prever que, ao urrar em plenos pulmões "Morre logo, porra!", o cara, em vez de apenas parar de tossir daquela forma cavernosa, realmente iria obedecer?

Agora tava ali, o cadáver, "atendendo a pedidos".



 Escrito por Paulo Rená às 21h53 [] [envie esta mensagem]



Em tempo... (burilado)

E eu achando que tinha feito um post maléfico, sem coração, pisando nos valores morais da sociedade, estraçalhando com o respeito ao próximo, digno de me fazer rezar quinhentas ave-marias pra não ir pro infoerno.

Eis que descubro (valeu Raquel) que a filhadaputagemcapitalista por mim imaginada meio que já foi posta em prática há algum tempo. Eu sou mesmo muito inocente.

Não tem desculpa, tá no limite! Agora só falta a grow, a estrela, sei lá, querer lançar o brinquedinho do tão comentado "bebê anencéfalo"!

       



 Escrito por Paulo Rená da Silva Santarém às 19h29 [] [envie esta mensagem]



Pinico sobre a cabeça...

Eu peidei na santa ceia - Frase para se dizer quando tu tiveres te ferrado sem motivo aparente, como forma de tentar estabelecer, humorísticamente, uma relação de causa e conseqüência; use em substituição à totalmente  xarope "ninguém merece!".

don't do it - da série "frases de camiseta", com óbvia citação a nike, num estilo anti-comercial, obviamente fajuto, hipócrita, e contraditório, porque capitalista, afinal, a camisa não há de ser grátis.

 



 Escrito por Paulo Rená da Silva Santarém às 19h18 [] [envie esta mensagem]



casca de noz e kryptonita

- Homens, pensemos nisso como uma homenagem sincera. Uma forma de construir a imagem de um verdadeiro herói. Não estaríamos fazendo outra coisa senão reconhecendo o valor de um sujeito e tranformndo-o em um notório exemplo a ser seguido. Se estaríamos sendo desumanos? Penso sinceramente que não. Usaríamos claramente suas limitações como prova viva de que a humanidade pode ir além e driblar a seleção natural. Com uma adequada estratégia de marketing, mais que ser conhecida, sua história de vida passaria a servir de farol para as pessoas do mundo inteiro. Sem falar na decorrente habitualização cultural ao diferente, àquele que não é igual, ao outro, e isso tudo de uma forma bem sutil. Ademais, qual é a conseqüência de nosso trabalho se não a construção subliminar de referências de comportamento no inconsciente  das crianças.

- Você apresenta bem seus argumentos, defende bem suas tese e foi um belo discurso, mas não adianta insistir. Essa empresa não vai gastar tempo nem dinheiro na produção de uma "Barbie - Stephen Hawking que meche o dedinho"!

- Mas nem no "Ken - Christopher Reeve"?!



 Escrito por Paulo Rená da Silva Santarém às 07h38 [] [envie esta mensagem]



O jeito foi ir dormir

 Não! Não!

Não, não, não, não, não. Ele repetia sozinho ao som da estática do monitor. Julgava inacreditável, mas era verdade.

A língua portuguesa se mostrava pobre. Para aquele momento, todos os palavrões do mundo eram insuficientes. A mão fria suportando a testa franzida e os olhos querendo se virar pra dentro como avestruzes. Teria ele pregado chiclete na cruz em outra encarnação?

Horas naquele texto. Neurônios morreram enquanto ele lutara contra aquelas teclas. Ele encarara aquilo como uma guerra, na qual ele resistira e lutara até o fim: retirar, reduzir, sublinhar, negritar, sintetizar, pontuar, repensar, corrigir, inclusive os erros de estilo, tudo em nome do melhor labor mental.

E eis que, ao fim do esforço, após o parto da obra, quando ele se sentia no ápice de sua capacidade intelectual, um lapso de seu corpo cansado revelou como podem ser simples as idiotias que um ser humano se faz capaz de cometer. Sem alcançar a tecla "delete", para apagar aquele único espaço que sobrara após o último ponto final, seu dedo tocara a tecla redonda, com um desenho de um traço e um círculo, aquela maravilha tecnológica que servia para, de forma bem prática, desligar o computador dos descuidados. E, de forma bem trágica, ele perdeu tudo. Tudo, tudo, tudo.

E as frias letras brancas no fundo azul indicavam que o computador estava pronto para ser desligado com segurança.



 Escrito por Paulo Rená da Silva Santarém às 01h29 [] [envie esta mensagem]