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Rascunho
 

1, 2 e...

Entendia que mesmo após o que chamava de urbanização final, trazida pela modernidade, a vida ainda reservava aos humanos alguns momentos em que era necessário demonstrar a capacidade de superar o medo.

Sua idéia era que em certas ocasiões a razão de pouco servia, de forma que enumerar uma lista e balancear comparativamente os argumentos prós e contras em nada ajudava a tomar a decisão. Havia algo da experiência vivida que mantinha o corpo alerta contra os perigos do mundo, e a sensação de desconforto, descendo a espinha e se espalhando como calafrio pela pele, viria como um aviso disso tudo.

Dentre todas as coisa às quais se arriscava, aquela que mais lhe proporcionava orgulho e satisfação pessoal era, sem dúvida, sua invariável coragem de, a cada manhã, entrar sob a ducha fria do banho diário.



 Escrito por Paulo Rená às 09h09 [] [envie esta mensagem]



Vovô Jorge - parte 1

- Viu como é rápido, vô Jorge?

- Urra, óia! Essa tecnologia é mesmo uma coisa. Apostaria minha coleção de selos como algum desses hackers poderia até dar um jeito e descobrir, fuçando direitinho, se num caiu alguma lágrima no teclado na hora de digitar o e-mail, né verdade? Pena que num vem com cheirinho de perfume da mão. Tem tal de emoticon pra isso também?



 Escrito por Paulo Rená às 17h47 [] [envie esta mensagem]



Perdido em meio a superficialidades

Como uma pérola entre seixos, como um grão de ouro na areia, como qualquer outro exemplo de beleza absurda indevidamente indistinta entre banalidades (o quê aliás - ele bem sabia - era mais comum de acontecer do que poderia aceitar), encontrou três versos, os quais decidiu mereciam estar em algum lugar mais visível (e era seu dever fazê-lo acontecer), ainda que sozinhos.

Outrora o meu mundo era agora
E no instante vivido
O presente se tornava memória



 Escrito por Paulo Rená às 10h49 [] [envie esta mensagem]



Já volto

Na verdade, nem estava ali pelo motivo óbvio. Os passos anormalmente lentos com que descera as escadas revelavam: sua real preocupação era apenas ter um descanso da situação desagradável em que estava.

Mas quando lançou mão da inafastável desculpa clássica de quem quer apenas um período de alívio mental e põe a culpa na fisiologia, qual não foi a surpresa ao ter sua presença no banheiro do bar interpretada ebriamente como uma sincera e solidária forma de expressão de amizade:

- Oh, você veio me ver vomitar! Relaxa eu, estou bem.



 Escrito por Paulo Rená às 08h56 [] [envie esta mensagem]