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Rascunho
 

olhos nos olhos

Após ler a notícia na íntegra, entrou em transe. O resto do jornal caiu largado na calçada enquanto ele seguiu até o carro. Olhar fixo na manchete, a cabeça ia longe. Só pensava em todos aqueles discos, shows, autógrafos, fotos, entrevistas gravadas no vídeo cassete para ela ver mais tarde, sem falar na novíssima coleção de DVD's que ele mesmo comprou de presente.


Ora, antes era algo intangível, longínquo. Achava engraçadinho e até contava com galhardia para os amigos. Mas agora estava ali, na cara dele. Havia um caso concreto, público e notório, estampado em capas de revistas.


Nenhum livro de auto-ajuda seria capaz de livrá-lo daquele incômodo. Aquilo o atacava no âmago de seu ser, quebrava as canelas de sua ética, que julgava inabalável, infalível. Não foi trabalhar.


Ao cair da noite, quando ela chegou em casa, assustou-se ao vê-lo no sofá. Mal sabia que atravessara o dia naquela única posição lacônica. Sentado, o corpo curvado sustentando a cabeça baixa e as mãos soltas segurando entre as pernas poucas páginas entreabertas de jornal.


Com o rosto de quem carrega o mundo nas costas, seu olhar faiscou e ele se expôs. Entre lágrimas escorridas, a voz saiu-lhe da boca rompendo o silêncio:


- Você também me trairia com o Chico Buarque?



 Escrito por Paulo Rená às 13h47 [] [envie esta mensagem]



A raposa e as uvas

(Deveria ter sido postado no sacada, mas passou da hora. Se bem que um dia ela volta. "Ela", a hora.)

Como uvas
Outrora verdes, agora maduras
Você, mulher
Era resistente e hoje me quer
 
E eu sou raposa
Mamífero de rapina, carnívoro
O desdém na boca
Era eu fingindo não ser comigo


 Escrito por Paulo Rená às 07h58 [] [envie esta mensagem]



apresentando o personagem...

HOM, sigla para Habitação Onde Moro. Não confundir com "homo". Definitivamente.

Acrescente o prefixo à situação vexatória, de humilhação e subvalorização de suas capacidades a qual ele é submetido diariamente na sua condição de filho. Daí, por meio de um trocadalho do carilho, nasce "HOMBoy, o office-boy do lar".

Com a pretensão de possuir ares de um 007, o HOMBoy não passa de mais um perdedor, que elabora em sua mente desocupada uma ficção a fim de dar sentido às suas numerosas atribuições domésticas, fantasiando-as como "missões". Patético. Divertido, mas patético.



 Escrito por Paulo Rená às 12h36 [] [envie esta mensagem]