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Meu Perfil
BRASIL, Centro-Oeste, BRASILIA, ASA SUL, Homem, de 20 a 25 anos, Portuguese, English, Música, Cinema e vídeo, Esportes (suspensos por recomendação) MSN - pauloblack@hotmail.com
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Tema para poema para outono
Na cena acontece o seguinte:
Ele achou que tivesse refletido o bastante. Contra as dúvidas que já existiam e as que resistiram ao tempo, propôs-se a usar a lógica para melhor entender o que estava acontecendo, ainda que a boa letra daquela boa música daquela boa banda versasse que "pensar o sentir" fosse um abismo, algo que levava à perdição. Pois ele pensou o sentir e chegou às suas conclusões. Concluiu que era o fim do casal.
Daí ela, inocentemente, aparece em sua frente: um vestido branco, com delicados desenhos marrons que, de longe, lembram flores; uma sandália leve e confortável; cabelos voam em torno de seu rosto branco; um chapéu em tom pastel, combinando com o vestido e com a sandália, compõem a imagem de uma moça do séc. XIX. Então, é com se uma ventania carregasse para longe as folhas de papel onde ele escrevera tudo o que pensava; como se a visão fosse chuva e lavasse de sua mente todas as ponderações pré-estabelecidas; como se o tão falado conflito coração versus mente fosse enfim resolvido, com a vitória da emoção sobre a razão.
Mas ele não quer se deixar. Ele não concorda com essa dicotomia, e acha que todo sentimento é racional; que as emoções, não são irracionais; que ele é capaz de problematizar de forma coerente as coisas e resolvê-las, com o mínimo de dor e máximo de prazer que puder auferir, para si e para os outros.
Daí ele sai, numa ação tragicômica, correndo atrás das "folhas de papel", como que lutando pelas suas palavras, tão arduamente lapidadas. Mas a imagem dela em sua retina, o cheiro dela em suas narinas, a textura da pele em suas mão, tudo tem um curto circuito com o seu coração, que dispara. Ele enrubesce, as pernas tremem e suas idéias firmes caem com um castelo de cartas.
Escrito por Paulo Rená às 14h00
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Humor crítico e inteligente ilimitado
(...)
- Ô, Bacana, você ficou maluco, rapá? Que história é essa de pegar a minha prancha e tentar encarar o mar a essa hora da noite, e bravo desse jeito? Onde é que você tava com a cabeça?
- Ué, Juba? Eu tava querendo ser legal que nem você. Nunca leu Freud, não? Os filhos sempre tentam imitar os pais.
(...)
Escrito por Paulo Rená às 13h31
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Outro dia na Bahia
No carro, o namorado da prima do colega dele, que ia dirigindo o carro até o shopping bacana da capital, mirou-o pelo retrovisor e tentou ser agradável, iniciando a conversa:
- Olhe, você que fica elogiando a arquitetura daqui, veja aquele prédio ali, ó! Esse espelhadão do seu lado esquerdo.
- Caramba, que massa... - disse ele, realmente interessado.
- Massa, nada, velho, esse prédio é de fudê, porra! - levemente indignado, por ter julgado haver um certo o tom de descaso na resposta.
- Nossa, quem diria. O pessoal na Bahia é mesmo quente. Nunca imaginei um motel assim tão grande - disse ele, tentando ser chato e engraçadinho ao mesmo tempo (coisa que ele faz naturalmente), pra quebrar o gelo.
Escrito por Paulo Rená às 15h45
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A todos os designers gráficos
Olhando em sua volta, fez uma contagem dentre os conhecidos e notou que a situação era recorrente. Impressionou-se quando percebeu que ele, de fora, se incomodava muito mais do que as pessoas imersas naquela escravidão moderna travestida de emprego.
Seu olhos só exergavam o talento sendo menosprezado por uma visão míope da exploração da força de trabalho pelo capital, que acabava gerando menos lucro a custa de cada vez mais esforço. Irracional e inconscientemente, esboços, lápis, borrachas, pincéis, pranchetas, mouses, tintas, cores e formas tornavam-se grilhões para pessoas que, para ele, deveriam mais era ser tomadas por artistas dos novos tempos (com direito a matéria superficial no jornal noturno dominical da grande rede de televisão).
Outros, também de fora, apenas lhe aconselharam a "relaxar", "afinal é daquele jeito mesmo, e eles até gostam, dá status".
Ele não se conformava. Só conseguiu concluir que não havia nada como um prazo e o carimbo empregatício de "obrigação" pra transformar uma manifestação artística num trabalho diariamente sufocante.
Escrito por Paulo Rená às 16h11
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Vovô Jorge - parte II
– Então quer dizer, meu netinho, que porquê você se deu ao trabalho de não apenas manter ativos e atualizados um diário virtual e um álbum de fotografias na Internet, mas ainda empenhar-se em preencher longamente todos os campos do seu perfil num famoso site de rede de amizades, quando essa tal garota, que sempre foi alvo de suas expectativas mais heterossexuais mas que você acaba de bloquear no seu mensageiro instantâneo, ao, por um acaso inexplicável do destino, encontrá-lo pela rua num momento de fragilidade emocional, ter lhe dito, com toda a sinceridade do mundo, "mas eu não quero ser egoísta, esqueça meus problemas, falemos de ti, como vão as novidades na tua vida?" você viu isso como descaso e ficou irritado?
Escrito por Paulo Rená às 18h01
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