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Rascunho
 

Sessão repeteco

Friaca

"Mas isso não é água, são cubos de gelo!" ouviu-se dele, ao mesmo tempo em que batia os dentes, cansado, ao fim de mais um de tantos dias daquela caminhada, que começara sem destino e finalmente o levara a alguma cidade minimamente povoada, apenas o bastante para oferecer-lhe aquela maldita pocilga chamada "Hotel Local", mas cujas falta das letras "H", "e" e "c" no painel frontal indicava qual a qualidade dos cuidado que a ele poderiam ser proporcionados no estabelecimento, do qual agora, quando os termômetros sujos anotavam a mais baixa temperatura que já lhe arrepiara a pele, percebia a falha nos sistemas de aquecimento e hidráulico, prestando-lhe em conjunto a imensa frustação, digna de incontaveis palavrões, à sua pretensão de tomar banho.

 Escrito por Paulo Rená às 10h31 [] [envie esta mensagem]



Sessão repeteco

Na boa, sem chance de um "bom, pelo menos..."

"Oiii!". A voz, femininamente entoada, de dentro do carro passando ao seu lado, encheu-o de curiosidade e de um contente espanto, ao que instantaneamente ele já ficara mais leve. Andando cabisbaixo, apenas notara (visão periférica) o vulto branco do carro desconhecido. De passagem, com suas roupas habituais, cabelo de sempre, nenhum perfume novo, andar casual, e ainda assim ser acometido por uma gentil voz desconhecida, feminamente entoada!

Tentava iluminar a situação com a vela da memória, vasculhando velozmente, verificando se a voz, femininamente entoada, era conhecida. A procura, por certo, tinha por finalidade comprovar a si mesmo que se tratava mesmo de uma voz estranha, feminina e gentilmente entoada.

Ocorre que nesse microinstante de suspensão, nos nanosegundos entre o ouvir e o olhar, com seu pensamento ainda envolto em crescentes regozijo e curiosidade, algumas sinapses sensitivas o iam informando que havia algo mais de estranho naquela voz, entoada feminina e getilmente, que não apenas o desconhecimento quanto à sua fonte.

Nesse instante quase congelado, de frações de segundos, concluído o raciocínio, ele já olhou triste, e apenas vislumbrava atônito e inerte que sua expressão de espanto e decepção era correspondida de dentro do carro com um olhar extremamente delicado e solícito, que se movimentava completamente feliz rumo ao horizonte.

"Que merda"", constatou ele, em sua mente com letra garrafais e negrito: entonando femininamente uma voz gentil, um homem acabara de lhe dirigir um sonoro "Oiii!".

 Escrito por Paulo Rená às 10h10 [] [envie esta mensagem]



Sessão repeteco

Pq 24? Pq!?

Após mais um dia de cansaço corporal e mental (o que já se lhe tornara habitual), não se conteve e adormeceu antes de preparar o café da manhã seguinte, reler os e-mails ou mesmo desligar a TV. Freudianamente, sonhou que, sem maiores explikafkações, o dia passara a ter trinta horas. Seis horas a mais.

De imediato, sentiu a tranqüilidade. Mais sono, mais calma no trabalho, menos pressa no almoço. Voltar a despender alguns minutos ouvindo as músicas de que tanto gosta, lendo as letras e estudando os discos. Ah, ler livros com figuras.

Foi nesse momento que, com os raios da maldita alvorada doendo em seus olhos, acordou. Parecendo-lhe que dormira tão pouco, sentia-se ainda cansado. Olho no relógio e ao mesmo tempo em que, triste, notou que o dia continuava tendo 24 horas, percebeu que o dia já começara mal: estava atrasado.

 Escrito por Paulo Rená às 18h50 [] [envie esta mensagem]