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cenas do próximo capítulo
HOM-Boy estava pronto para descarregar o desconforto acumulado na semana naquele guarda de trânsito que calhara de evidenciar não saber o que estava fazendo exatamente enquanto dava ao nosso anti-herói aquelas ordens ridículas de "pra lá, pra cá, espera", quando de repente foi rendido de sua legítima fúria pela sutileza de um inesperado "obrigado, senhor, tenha um bom dia".
No mesmo dia, em um outro canto da cidade, o garoto que finalmente se sentia à vontade para declarar todas as suas vontades acabou por descobrir que aquelas substâncias geradoras de coragem nos covardes, aos olhos da moça, configuravam na verdade indício suficiente para mitigar todo desejo e fazer nascer um receio de que fosse a falta de consciência o único motivo para aquelas palavras cheias de reticências.
Finalmente, ao entardecer, passos cansados que entoavam como trilha sonora o estalar de folhas secas e tinham como pano de fundo um pôr-do-sol multicor da primavera permitiram a auto-descoberta de que não existem as tais fonte de inspiração, jorrando livremente poesia para os quatro cantos do mundo, sendo sempre necessário levar consigo a sensibilidade e a sutileza necessárias para na hora da colheita não estourar as bolhas de beleza ocultas pela natureza.
Escrito por Paulo Rená às 16h01
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ainda na primavera
...a música será o vento e em suas notas trará sementes de felicidade que germinarão nos corpos em movimento, adubados ou não com substâncias fetilizantes...
Escrito por Paulo Rená às 12h04
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assim será o verão, visto da sacada
As moças serão como geradores de beleza movidos a baterias solares, que nas praias se energizarão durante o dia e descarregarão toda sua potência noite adentro. Ou afora?
Bom, há tempo para decidir, afinal, ainda é primavera. Mas isso é assunto para outro blog...
Escrito por Paulo Rená às 19h52
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24 horas...
Aquilo ali era material que poderia salvar-lhe o dia.
Os acontecimentos daquele infernal ciclo de rotação da Terra já o "presenteado" com um traveseiro babado, falta de leite na geladeira, atraso da emregada, fila no banco, fim da bateria do celular, uma bronca do chefe, um tropeção na escada, computador lento e um mico no elevador sobre a "gravidez" de uma conhecida acima do peso, tudo isso entremeado por trânsito, muito trânsito.
Pois, ao fim de uma jornada de cão, retornando ao seu veículo, com o qual ainda teria que gastar vários de seus suados reais num posto de gasolina antes de retornar para a cama e desejar que um novo amanhecer viesse com menos infortúnios, ocorre então algo surpreendente. Um ser angelical, com uma beleza radiante, para quem a palavra mulher seria um eufemismo, vetindo trajes sensualmente comportados, olhava-o fixamente de forma atenta e compenetrada, despertando algumas vontades que pareciam inverossímeis naquela azarada conjuntura.
Qual não foi o tapa na cara, deferido pelo destino, quando, como uma "chave de ouro", o som saído dos moventes belos lábios da morena formosa chegaram aos seus ouvidos e foram decodificados em seu cérebro:
- Desculpe, senhor, mas esse aí é o meu carro. Poderia me dar licensa? - disse ela, como se ascendendo um placa em neon piscante apontando pra ele, na qual, a quilÔmetros, fosse possível ler nitidamente "perdedor".
Escrito por Paulo Rená às 22h20
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repeat, please
Em homenagem às novas amizades
Dona Alice sentia-se tão orgulhosa da filha adolescente, aquela que por nove longos meses carregara; a mesma por cujo choro tantas vezes acordara na madrugada; por quem tanto rira ao som das primeiras palavras, do primeiro sorriso, o primeiro "mamãe"; esse lindo ser que outrora habitara um quarto cor de rosa, e que hoje tinha lá suas queridas amiguinhas, mesmo apesar daquelas músicas depressivas, dos piercings e da tatuagem, do cabelo e das unhas pintadas de negro, das roupas com frases e desenhos estranhos que ela não entendia, sem falar na faculdade de nome estranho que ela cursava, nada semelhante a Medicina ou Direito. E pouco importava que as meninas se denominassem "as iscas comedoras", pois, ponderava, isso era coisa de criança, com o tempo passa.
Mais que tudo, Dona Alice, que também já ousara se deixar levar longe através da toca da curiosidade quando infante, especialmente por conta das histórias de um tal Luís K. (que não passava de um pseudo), limitava-se a rezar antes do jantar para que um dia o destino de sua filhota fosse lapidado por um casamento, que viesse a colocar a vida da filha nos trilhos, assim como ocorrera com ela própria, hoje conhecida como a corretíssima Sra. Carlos Ludovico.
Escrito por Paulo Rená às 18h44
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wiederholen Sie, bitte
S de simples
- É bom - disse ela, surpreendendo-o, de uma forma bastante agradável, ao responder desse jeitinho tão simples, direto e despojado, em flagrante contraste ao modo, tão cheio de dedos e preocupação em não parecer nem ousado nem inseguro demais, com que ele perguntara àquela adolescente ploc (baixinha, all-star, meio ruiva, roupas coloridas, sorriso de rosto inteiro) que o deixava totalmente fissurado o quê ela achava sobre sexo.
- Mesmo quando é ruim, completou ela, de forma singela e aparentemente inocente, fazendo-o se derreter por dentro.
Escrito por Paulo Rená às 09h52
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O mesmo assunto, um outro post
Talvez tivesse atingido o ponto mais baixo e fosse o caso de finalmente procurar ajuda profissional.
Sempre cuidara de não deixar trasparecer que por trás de suas raras expressões de prazer, sua mente insistia em se contorcer de agonia. O caso era que, mesmo ciente dos infortúnios decorrentes, nunca conseguiu se desvencilhar de sua postura pessimista. Invertendo o brocardo, só conseguia pensar que a bonança não era senão o momento precedente às tempestades.
Sim, isso o atrapalhava bastante em todos os campos de suas relações sociais. Por essa razão, fechou-se em uma concha de aparatos tecnológicos e passou a viver isolado, afastando-se das constantes decepções, todas previamente esperadas.
Pois ele estava já se acostumando a essa vivência pobre, porém segura, quando de repente, o que era calmo e tranqüilo se transformou em movimentos confusos e desencontrados, e pareceu materializar-se num colossal desejo, num impulso surpreendente. Sentiu doces braços femininos lhe puxarem o rosto em direção aos seios. Nesse instante, ofegante e babando, ele acordou com a cara afundada no travesseio.
Escrito por Paulo Rená às 21h25
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