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Rascunho
 

verbete da semana

debalde

advérbio, de origem árabe, que particulariza uma ação realizada em vão, de forma inútil, sem alcançar os fins almejados, como acontece sempre que algum recém chegado, devidamente desavisado, ousa entoar, repleto de uma inocente pretensão de gentileza, um sincero "bom dia" a qualquer calejado residente das áreas nobres Brasília.



 Escrito por Paulo Rená às 17h28 [] [envie esta mensagem]



pelo projetor...

Ya Ya!

A pequenina derrama o líquido denso, viscoso e escuro em um frasco, informa que "este é o sangue de nosso povo, do povo lobo, dos povo jacaré e das mulheres da lua de quem nós ganhamos nossa força para governar todos os mundos" e oferece à novata, que inicialmente chacoalha a cabeça dizendo não, mas acaba por aceitar fazer parte do ritual quando a outra amiguinha a tranquiliza, sussurando-lhe que "está tudo bem, é apenas chocolate".



 Escrito por Paulo Rená às 16h27 [] [envie esta mensagem]



verbete da semana

enrubescer

corar-se, ter a pele avermelhada, evidenciando o aumento do fluxo sangüíneo, decorrente, geralmente, de uma sensação de acanhamento, pejo, vergonha, que foi exatamente o que acometeu a jovem moradora do bloco quando se viu no elevador, percorrendo o longo caminho entre o térreo e o sexto andar, ao lado do novo vizinho de porta, que, de bermuda curta e camiseta no ombro, exibia-se suado na volta da academia.



 Escrito por Paulo Rená às 13h27 [] [envie esta mensagem]



O jeito foi ir dormir (replay em homenagem ao nono bit)

Não! Não!

Não, não, não, não, não. Ele repetia sozinho ao som da estática do monitor. Julgava inacreditável, mas era verdade.

A língua portuguesa se mostrava pobre. Para aquele momento, todos os palavrões do mundo eram insuficientes. A mão fria suportando a testa franzida e os olhos querendo se virar pra dentro como avestruzes. Teria ele pregado chiclete na cruz em outra encarnação?

Horas naquele texto. Neurônios morreram enquanto ele lutara contra aquelas teclas. Ele encarara aquilo como uma guerra, na qual ele resistira e lutara até o fim: retirar, reduzir, sublinhar, negritar, sintetizar, pontuar, repensar, corrigir, inclusive os erros de estilo, tudo em nome do melhor labor mental.

E eis que, ao fim do esforço, após o parto da obra, quando ele se sentia no ápice de sua capacidade intelectual, um lapso de seu corpo cansado revelou como podem ser simples as idiotias que um ser humano se faz capaz de cometer. Sem alcançar a tecla "delete", para apagar aquele único espaço que sobrara após o último ponto final, seu dedo tocara a tecla redonda, com um desenho de um traço e um círculo, aquela maravilha tecnológica que servia para, de forma bem prática, desligar o computador dos descuidados. E, de forma bem trágica, ele perdeu tudo. Tudo, tudo, tudo.

E as frias letras brancas no fundo azul indicavam que o computador estava pronto para ser desligado com segurança.

 Escrito por Paulo Rená às 09h24 [] [envie esta mensagem]



verbete da semana

Flogístico

Numa teoria química medieval, abandonada quando da conceituação do oxigênio, consistia num fluído inerente a todo corpo que provocaria a combustão deste ao abandoná-lo.

 Escrito por Paulo Rená às 17h54 [] [envie esta mensagem]



se eu fosse goleiro...

Superando as habituais declarações que insistem em se limitar ao mix de evasão, superficialidade e obviedade, se eu fosse goleiro, portar-me-ia como o Diego, do Flamengo:

"Sou o responsável direto sim. Foram dois gols de bola parada e, nesses casos, sou eu que tenho que evitar. Acho que a equipe, no conjunto foi bem, mas eu não consegui colaborar".

 Escrito por Paulo Rená às 17h38 [] [envie esta mensagem]



conquistando inimigos

É minimamente razoável esperar das pessoas que exercem uma atividade profisional que elas sejam melhores do que as demais no exercício daquilo que fazem. Na contra-mão dessa lógica, é incrível como os taxistas estão longe de serem exímios motoristas.

Caminhoneiros se destacam pela sua cordialidade e capacidade de rodar por longos períodos e ainda retornar ao lar cheios de amor, independente de terem ou não utilizado de serviços especializados de relaxamento ao longo de suas viagens. Motoristas de ônibos são agressivos, mas ainda assim é necessário considerar eles têm o devido êxito ao manobrar aquela caixa de sapato gigante, mesmo sentados ao lado do motor e tendo de lidar com gente de toda qualidade.

Já os taxistas dirigem o próprio carro, podendo ouvir rádio AM que quiserem, sentados naquelas bolinhas de madeira, com adesivos, santinhos e todos os penduricalhos necessários para se sentirem como se dirigissem o seu próprio carro. Além disso, trafegam na própria cidade.

Aliás , eles estão por todas as cidades, distribuindo barberagens ao torto e a direito, inclusive essa uma que acaba de exigir do HOMBoy o reflexo de uma emergencial manobra no HOMobile ao mesmo tempo em que se pergunta se o tio sabe que aquela porcaria com placa vermelha vem também com seta.



 Escrito por Paulo Rená às 16h12 [] [envie esta mensagem]



verbete da semana

Forragear

verbo, datado de 1679, que, em ecologia, é intransitivo e significa procurar (o ser vivo) alimento, lançando mão de estratégias especializadas, desenvolvidas no âmbito da espécie.

 Escrito por Paulo Rená às 21h50 [] [envie esta mensagem]



Memorablia das criações de um intelecto desocupado

"Hoje eu dormirei o sono dos bêbados" - constatação de final feliz de festa.

"A galera perdeu a linha e a rabiola" - constatação de final feliz de festa animada.

"Deus não dá asa a cobra, mas eu nunca vi cordeiro voar" - versão atualizada de "quem não arrisca não petisca", sem a dureza de um "bonzinho só se fode".

"Eu peidei na santa ceia" - conclusão baseada em uma crença de equilíbrio no universo aliada à premissa de que existe esse negócio de vidas passadas.

"Quando eu ficar velho eu durmo depois do almoço" - máxima da postura ray'o'vac, também conhecida como "não pára, não pára, não pára, não!".

"Os melhores casacos têm duas pernas" - frase que visa otimizar o aproveitamento do calor dos corpos, institucionalizando a troca humanitáia em vez da mera utilidade conservadora dos moletons e afins.



 Escrito por Paulo Rená às 17h01 [] [envie esta mensagem]