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verbete da semana

lisboeta

adjetivo relativo à Lisboa , que funciona também como subtantivo de dois gêneros, datado de 1836, designando os naturais da capital portuguesa, cujo brasão ostenta os dizeres "mui nobre e sempre leal", única razão que encontrei para que uma certa menina com uma flor relacionasse  o ar da cidade ao instituto do casamento, que normalmente congrega juras eternas tão poéticas quanto improváveis, salvo raras e belas exceções que insistem em seguir colecionando rugas de mão dadas.



 Escrito por Paulo Rená às 16h28 [] [envie esta mensagem]



pelo alto falante...

Vá embora

Ele trocou a inocência pelo orgulho e se sentiu mais forte. Convenceu-se de que os prédios não cairiam, que um terremoto não dividiria o solo, que o sol não engoliria o céu e que as estátuas não chorariam. E adorou o som dela indo embora.
Apenas evitou fitar aqueles olhos e dar espaço a desculpas. Deveria se manter duro, frio, maduro.
Ao final, enquanto o rímel escorria uma lágrima negra, a cabeça dura desmoronava por dentro.

 Escrito por Paulo Rená às 08h21 [] [envie esta mensagem]



beleza às terças

Conhecer algo belo é tão prazeiroso quanto reconhecer.
Buscar conhecer mais objetos belos amplia as possibilidades do prazer do reconhecimento.
Mas há o risco de a busca em si substituir a apreciação.



 Escrito por Paulo Rená às 16h03 [] [envie esta mensagem]



Trama virtual

Só de não ter tido um infarte, concluiu que o que viesse seria lucro. Por isso, tomando ali um flaming moe sob a luz matinal daquele domingo, ao som de um santo samba advindo de rádio de outono qualquer, nem ligava para o mofo degradando os móveis coloniais de acaju no motel flamingo. Aos oitenta anos, sem gastar um tostão, ter uma noite com aquelas moças desconhecidas fora tão quente e inesperado que foi capaz de sorrir mesmo quando a previsão da cartomante se concretizou na forma de uma bala perdida em sua testa.

Escrevi esse texto para uma promoção no site da Trama Virtual. Tinha que usar o nome de seis bandas e xis caracteres para escrever um conto. Saiu esse, que, afinal, me lembrou um outro texto meu.

Daí que se alguém viu aí a noiva cadáver, tente se lembrar da cena em que o cocheiro morre tussindo. É, o Tim Burton fez depois
.

 Escrito por Paulo Rená às 23h36 [] [envie esta mensagem]



beleza às terças

Para reconhecer é necessário antes conhecer.
O reencontro permite reviver o primeiro contato.
E se o objeto é belo, revê-lo é um prazer para o sujeito.



 Escrito por Paulo Rená às 17h34 [] [envie esta mensagem]



pelo projetor...

metalinguagem

O pequeno traço vertical piscava no espaço em branco levando-o a vasculhar suas memórias em busca de algo interessante que merecesse ser descrito.

Foi quando lhe vieram à mente as duras palavras daquele diretor de teatro, emolduradas em um rosto extremamente irritado: "nada acontece no mundo? você está fora de si, porra? pessoas são assassinadas todo dia. há genocídio, guerra, corrupção. todo maldito dia, em algum lugar no mundo, alguém sacrifica sua vida para salvar a de outro alguém. todo maldito dia, alguém, em algum lugar faz uma decisão consciente de destruir outro alguém. pessoas encontram o amor, pessoas o perdem. pelo amor de deus, uma criança assiste à sua mãe apanhar até a morte nas escadas de uma igreja. alguém fica com fome. alguém trai seu melhor amigo por uma mulher. se você não consegue achar esse material na vida, então você, meu amigo, não sabe bosta da vida. e porquê diabos você está disperdiçando minhas preciosas duas horas com seu filme? eu não tenho nenhuma utilidade pra ele. eu não tenho nenhuma maldita utilidade pra ele."

Lembrou-se então, moto-contínuo, que o destinatário do discurso resgatado apenas questionava o quê fazer diante não da falta de acontecimentos no mundo, mas em sua própria vida.

 Escrito por Paulo Rená às 23h04 [] [envie esta mensagem]



verbete da semana

Mesmerismo



substantivo masculino, que no jargão médico, denota o uso do magnetismo animal e hipnotismo no tratamento e cura de doenças, segundo o método e prática do austríaco Franz Anton Mesmer (1734-1815), que foi expulso, sob a pecha de charlatão, da cidade de Paris, onde mais tarde, em 1968, a despeito de toda violência dirigida contra o corpo daquele jovem, não haveria soco, chute, cacetete, escudo, capacete, bala de borracha, bomba de efeito moral ou outro artefato bélico que tivesse o condão de mitigar aqueles ideais "subversivos", sendo que o sangue inocente derramado apenas iria regar a revolução, que hoje é mero passado onírico diante dos conflitos injustificáveis entre nacionais e imigrantes no país da igualdade, liberdade e fraternidade.

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"You'll see the distant flames, they bellow in the night
You'll fight in all our names, for what we know is right
And when you all get shot, and cannot carry on
Though you die, La Resistance lives on."



 Escrito por Paulo Rená às 23h20 [] [envie esta mensagem]



verbete da semana

tolher

verbo que guarda sinonímia com impedir, estorvar, opor-se, obstar, proibir, vedar, coibir, embargar, podendo ser utilizado, por exemplo, na frase "o Sr. Moura, preocupado com sua clientela, tolheu a criatividade do publicitário", que é um resumo, do ponto de vista artístico, daquela piada em que um sujeito, tendo os seus préstimos solicitados, retorna ao dono de uma loja de pregos uma proposta de peça publicitária audio/visual, não aceita, em que a câmera, ao se afastar de um martelo e prego rústicos, revelaria um homem crucificado e ao fundo se ouviria o slogan "Pregos Moura, dois mil anos de tradição".

 Escrito por Paulo Rená às 13h07 [] [envie esta mensagem]