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Rascunho
 

sonho

Era uma noite fria e não havia coberta que me aquecesse. Acordei trêmula. Não. Continuava sonhando. Pude sentir seu calor e ele era tão seu que não me aquecia. Não queria usar a expressão "me enroscava" porque me soa brega, como as músicas que tocavam no rádio àquela hora, mas era exatamente o que eu fazia entre os pelos de sua cara desfigurada. Não diferenciei bem você de mim. Nunca fui boa nisso, me misturo ao todo ou às partes, o mundo é como um oceano onde mergulho até o fundo, ou quase lá. Sinto-me seduzida pelo que está imerso. Medo, frio, dor, tudo eu sinto, mas nada consegue me impedir que eu continue mergulhando, só você, que se mantém na superfície feito um navio, forte e seguro de si, com lindas e charmosas velas que usam do vento a favor de seu destino.

Meu maior receio era perceber ser eu a sua âncora, ser eu quem ao me dividir em você lhe retirava sua liberdade de navegar tão admirável. Por isso permanecia inerte quando me perguntava sobre haver algo errado. Pois e se houvesse e esse algo fosse justamente eu: o que eu faria mim? E o fundo do mar ficava cada vez mais frio. E a água não era senão o meu suor, agora misturado com lágrimas.

* O primeiro parágrafo não é meu, mas da Ana Cabral. Eu só continuei. Alguém se habilita?



 Escrito por Paulo Rená às 13h34 [] [envie esta mensagem]



verbete da vez

modéstia

substantivo feminino que denota uma pudorada e despretensiosa ausência de vaidade quanto aos próprios atributos ou feitos, que freqüentemente as pessoas fingem ter só para poder por "à parte" quando desejam tecer um elogio à si mesmo mas não macular a própria dignidade.



 Escrito por Paulo Rená às 13h02 [] [envie esta mensagem]



Intimidade

Perguntou-se então porque ainda abria sua boca, se sua mente podia ser lida tão facilmente.



 Escrito por Paulo Rená às 21h02 [] [envie esta mensagem]